Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundadoMIGUEL A. LOPES/LUSA

Marcelo sugere criação de fundo para calamidades. Mais de 100 mil sinistros foram participados às seguradoras

O sol brilha, finalmente. Após as intempéries das últimas semanas, a expetativa é que as ocorrências diminuam e que as zonas afetadas comecem, na medida do possível, a regressar à normalidade.
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Proteção Civil registou 377 ocorrências até às 18:00 deste sábado

A Proteção Civil registou este sábado, até às 18:00, 377 ocorrências relacionadas com a situação meteorológica adversa que está a afetar o território de Portugal continental.

Num ponto de situação, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicou em comunicado que entre as 00:00 e as 18:00 de hoje foram registadas 377 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sem especificar quais.

De acordo com os dados divulgados, desde as 16:00 do dia 01 de fevereiro até às 18:00 de hoje foram registadas um total de 18.762 ocorrências.

As sub-regiões mais afetadas foram a Sub-Região Coimbra, com 2.600 ocorrências, a Sub-Região Oeste, com 2.277, e a Sub-Região Grande Lisboa, com 1.840.

De entre as tipologias de ocorrência mais registadas destaque para as quedas de árvores com 5.574, seguida de inundações (5.153), quedas de estruturas (3.024), movimentos de massa, vulgarmente conhecidos como deslizamento de terras (2.914), limpeza de vias (1.852), salvamento aquáticos (162) e salvamentos terrestres (83).

Segundo a Proteção Civil, na resposta a estas ocorrências estiveram envolvidos 63.685 operacionais, apoiados por 26.087 meios.

Número de clientes sem energia em Portugal desce para 26 mil

O número de clientes da E-Redes sem abastecimento de energia elétrica em Portugal continental desceu para 26 mil, às 17:00 deste sábado, a maioria nas zonas de maior impacto da depressão Kristin, devido aos efeitos das condições climatéricas adversas.

A empresa indicou que na zona mais crítica, a essa hora, estavam ainda cerca de 16 mil clientes sem energia.

Na nota informativa, a E-Redes também reforçou "o alerta para que, caso identifique infraestruturas elétricas caídas ou danificadas, se mantenha afastado e reporte a situação à E-Redes (800 506 506 ou balcaodigital.e-redes.pt)".

Vistoria do LNEC à barragem da Retorta garante segurança. População de Póvoa de Manique pode voltar às suas casas

O Município de Azambuja informou que foi feita este sábado uma nova avaliação técnica do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) à barragem/charca da Retorta, na Quinta da Torre Bela, que concluiu estarem reunidas as condições de segurança.

"Assim, a população da Póvoa de Manique que tinha sido evacuada pode regressar às suas habitações com tranquilidade", refere o município, nas redes sociais.

A escola deverá reabrir na próxima quarta-feira e o centro de saúde pode retomar o funcionamento normal, acrescenta a autarquia, que garante que continuará a acompanhar a situação.

Mais de 100 mil sinistros já participados às seguradoras devido ao mau tempo

Mais de 100 mil sinistros já foram participados às seguradoras na sequência do mau tempo que tem afetado Portugal, revelou este sábado (14) a Associação Portuguesa de Seguradores (APS). Segundo a associação, “neste momento estão participados mais de 100 mil sinistros, metade dos quais comunicados apenas na última semana”.

Em comunicado, a APS adianta que cerca de 75% dos processos já tiveram primeira peritagem, adiantamento ou pagamento total ou parcial, ou encontram-se a aguardar documentação para conclusão. 

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Mais de 100 mil sinistros já participados às seguradoras devido ao mau tempo

Autarquia de Almada apela à população para que se mantenha afastada dos locais interditos por risco de derrocadas

A Câmara Municipal de Almada apelou este sábado (14) aos munícipes para que se mantenham afastados dos locais interditos pelas autoridades, nomeadamente na zona de Porto Brandão, Azinhaga dos Formozinhos e as arribas e pontões da Costa de Caparica.

Numa mensagem deixada na sua página na rede social Facebook, a autarquia de Almada, no distrito de Setúbal, explicou que os terrenos estão saturados pela precipitação intensa que se tem verificado pelo que “ultrapassar as barreiras colocadas pelas forças de autoridade pode colocar pessoas em risco desnecessário”.

“Apesar do desagravamento meteorológico que se verifica no dia de hoje, pede-se à população que se mantenha afastada dos locais interditos pelas autoridades de Segurança e Proteção Civil, nomeadamente a zona de Porto Brandão, a Azinhaga dos Formozinhos, e as arribas e pontões da Costa de Caparica”, escreveu a autarquia.

A Câmara Municipal de Almada adiantou que estão a decorrer trabalhos técnicos e de análises de risco em alguns pontos do concelho.

Na sequência das tempestades que assolaram o território português, o município de Almada tem sido afetado por vários deslizamentos de terra nas arribas, o que levou as autoridades a evacuar Porto Brandão e a Azinhaga dos Formozinhos.

No concelho mais de 500 pessoas estão desalojadas, das quais pelo menos 160 foram alojadas pela Câmara Municipal em várias unidades hoteleiras locais.

Força Aérea recolhe imagens para levantamento de estragos

A Força Aérea sobrevoou este sábado (14) zonas afetadas pelo mau tempo para recolher imagens que vão ajudar ao levantamento dos estragos em áreas florestais.

O avião C-295M da Força Aérea sobrevoou a “sub-região de Leiria, zona oeste da sub-região da Beira Baixa, zona sul da sub-região de Coimbra e zona norte da sub-região do Oeste e do Médio Tejo”, num total de três horas de voo, refere um comunicado divulgado.

A informação recolhida vai ajudar a “delimitar as áreas afetadas e apoiar a classificação de imagens de satélite e de outros dados a recolher nos próximos dias, contribuindo para uma caracterização mais detalhada dos danos no edificado, do volume de madeira afetada e do acréscimo do perigo de incêndio que a tempestade veio abruptamente criar”, acrescenta.

A Força Aérea explica que através das imagens recolhidas será possível “delimitar as áreas afetadas, identificar manchas com maior grau de dano e distinguir árvores tombadas ou partidas”, para depois “avaliar a rede viária interrompida com arvoredo afetado e acumulação nos taludes”.

As imagens recolhidas vão permitir também “determinar o volume e classes de aproveitamento por grandes manchas, por espécie” e identificar “as áreas onde existe maior perigo de incêndio”.

“Esta visão integrada e atualizada da situação é fundamental para o planeamento estratégico e para a definição de prioridades de intervenção que visem minimizar os impactos económicos, ambientais e sociais”, defende este ramo das Forças Armadas.

Nível do rio Tejo deve continuar a descer durante a noite

O nível do rio Tejo manteve a tendência de descida ao longo de todo o dia e a expectativa das autoridades é que continue a baixar durante a noite e a madrugada, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

O rio está com a “situação a estabilizar em alta” e espera-se que vá “paulatinamente descendo durante o resto da noite”, embora ainda haja “bastante caudal”, afirmou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato.

A mesma fonte indicou que ainda se registam “caudais de 4.000 metros cúbicos por segundo em Almourol”, Vila Nova da Barquinha, e, embora a barragem de Castelo de Bode esteja a fazer descargas, o volume de água libertado está a ser “conjugado com as barragens espanholas” para garantir que o nível do Tejo continua a descer.

Não é expectável que tenhamos problemas, portanto, está a ser um final de tarde muito mais descansado e esperamos que amanhã continue assim”, antecipou, perante as previsões que apontam para uma melhoria das condições climatéricas e a redução da precipitação.

David Lobato adiantou ainda que, caso estas expectativas se confirmem, na segunda-feira, o nível de alerta do plano da Proteção Civil distrital de Santarém poderá descer do vermelho para o laranja ou, “eventualmente, até ao amarelo”.

Região de Leiria apela a Marcelo para intervir na prorrogação da isenção de portagens

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria apelou ao Presidente da República para intervir na prorrogação da isenção das portagens nas principais autoestradas que servem aquele território, na sequência da destruição provocada pela depressão Kristin.

"A reposição das portagens já no próximo domingo representaria um encargo acrescido para famílias e empresas que continuam a enfrentar sérias dificuldades, numa fase em que a prioridade deve ser a recuperação económica e social da região", salientou , em comunicado, aquela estrutura constituída por 10 municípios.

Numa carta, apela ao chefe de Estado para que, "no quadro das competências que lhe são próprias, promova a reflexão e a intervenção que considere adequadas, no sentido de assegurar a prorrogação do regime de isenção de portagens nas autoestradas A8 (Marinha Grande/Leiria) e A19 por razões de mobilidade, de equidade e de solidariedade para com uma região que foi severamente atingida".

Para a CIM, as vias alternativas às autoestradas abrangidas pela isenção, nomeadamente a EN1/IC2 e a EN242, permanecem "fortemente condicionadas, estando em curso intervenções de estabilização de taludes, reposição de pavimentos e limpeza de resíduos florestais".

Citando a Infraestruturas de Portugal (IP), adiantou que aqueles trabalhos deverão prolongar-se, pelo menos, até ao final de junho de 2026.

"Perante este cenário, a reposição das portagens já no próximo dia 16 de fevereiro significará, na prática, penalizar populações e empresas que continuam sem alternativas viárias em condições mínimas de segurança e fluidez", refere o ofício enviado por correio eletrónico a Marcelo Rebelo de Sousa.

Na missiva, a CIM da Região de Leira considera "ser absolutamente necessário que o regime excecional e temporário de isenção do pagamento de taxas de portagem seja prorrogado, pelo menos, até ao final de junho do corrente ano, prazo que coincide com a previsão de estabilização das vias alternativas por parte da IP".

A CIM da Região de Leiria é constituída pelos municípios de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Pombal, Porto de Mós, Alvaiázere, Ansião, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

Marinha Grande queixa-se de ter quase 20% do território sem eletricidade

Cerca de 4.400 clientes do município da Marinha Grande, correspondente a 19% do concelho, estavam sexta-feira à noite sem eletricidade, divulgou a Câmara Municipal do distrito de Leiria.

"A recuperação da rede elétrica tem sido uma preocupação prioritária", salientou a autarquia, em comunicado, já depois de na sexta-feira ter sido aprovada uma nota de repúdio na Assembleia Municipal contra a demora na reposição da energia.

De acordo com a nota, dos 334 postos de transformação existentes no concelho 20 permanecem sem abastecimento de energia, enquanto 22 geradores ligados pela E-Redes estão a funcionar.

A E-REDES informou hoje que na zona mais crítica, às 08:00, cerca de 19.000 clientes estavam sem energia e que no total do território continental o número ascendia a 31.000 clientes.

No balanço aos estragos da depressão Kristin, a Câmara da Marinha Grande estima que 95% do tecido empresarial do concelho foi afetado, além de danos em todo o tecido associativo do concelho e nos equipamentos desportivos e culturais.

Também contabilizou já 2.100 pedidos registados no balcão de apoio instalado pelo município.

Governo "agiu tarde e anunciou muito" mas nenhum apoio financeiro chegou às pessoas, critica Paulo Raimundo

O secretário-geral do PCP visitou este sábado um bairro de Almada, Olho de Boi (perto de Cacilhas), no distrito de Setúbal, que ficou isolado devido a uma derrocada na estrada, tendo apenas como alternativa a subida de 210 degraus pela arriba, desde a zona ribeirinha até ao centro histórico da cidade. Aí, disse à Lusa que o Governo "agiu tarde e anunciou muito” na resposta às pessoas atingidas pelas tempestades, e que até agora nenhum apoio financeiro chegou a quem precisa.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Paulo Raimundo: Governo "agiu tarde e anunciou muito" mas nenhum apoio financeiro chegou às pessoas

Anúncio da barragem de Girabolhos é “inoportuno e manipulador”, diz associação ZERO

Governo incumbiu a APA de lançar o concurso público para a construção e exploração desta barragem até final de março. Para a associação “esta proposta constitui uma falsa solução".

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
ZERO considera anúncio da barragem de Girabolhos “inoportuno e manipulador”

Marcelo Rebelo de Sousa está de novo em Alcácer do Sal e sugere criação de fundo para calamidades

O Presidente da República regressou, numa visita não anunciada, a Alcácer do Sal para se inteirar da situação após as várias inundações registadas nas últimas semanas. Marcelo Rebelo de Sousa está neste momento a percorrer a zona riberinha na companhia da presidente da Câmara local.

O chefe de Estado diz que falou durante a viagem com o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, que lhe transmitiu que houve até ao momento cerca de 100 mil participações, das quais despacharam até agora 12 mil, tendo avançado 5 mil, sendo a grande maioria habitação. Salientou a falta de peritos.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Mais de 100 mil sinistros já participados às seguradoras devido ao mau tempo

Marcelo referiu ainda a situação daqueles que não têm seguro. "Um problema imediato é como dar a esses estabelecimentos condições de desafogo financeiro para poderem voltar a trabalhar", disse, questionando até que ponto o Estado poderá intervir, tendo em conta que Portugal não tem um fundo para calamidades. A existir, como acontece em França e Espanha, segundo referiu, serviria "para fazer face a situações de maior envergadura", "que exigem um investimento extraordinário que os orçamentos do Estado não podem cobrir".

Para o presidente da República a existência desse fundo de calamidade poderá ser alvo de um debate no futuro, bem como o valor do mesmo.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Marcelo sugere criação de fundo de calamidade

Ontem, em Coimbra, também numa visita surpresa, o Presidente da República apelou às seguradoras para agilizarem as peritagens, notando que está a demorar-se muito tempo com os relatórios de sinistro.

A autarca de Alcácer salientou a necessidade de um pacote financeiro para a recuperação, uma vez que maior parte do investimento está alocado à despesa.

"Eu tinha que vir cá outra vez para fazer a comparação entre o que vi antes e agora e para ter a noção exata dos prejuízos", disse. Esperava que houvesse muitos prejuízos, não esperava que houvesse esta capacidade de recuperação", acrescentou, notando que a população já estava a recuperar de uma inundação quando as águas voltaram a subir e a inundar aquela zona.

Notando que "estas calamidades vêm quando não se espera, ultrapassam o que se previa, demoram mais tempo do que se pensa e tudo acontece a um ritmo alucinante, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que deixam "consequêncas para muito tempo e a política tradicional não está pensada para este ritmo".

Questonado acerca da eleição para as presidenciais que vai acontecer amanhã em Álcacer do Sal e noutros município e freguesias mais atingidos pelas intempéries, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que no fim de semana passado ficou provado que "quanto maior é o desafio mais lá estão na mesa de voto".

Guadiana estável em Badajoz

O rio Guadiana está neste momento estável na passagem pela cidade de Badajoz, após um pico de caudal registado pelas 06:00 de hoje que atingiu os 2.050 metros cúbicos por segundo (m3/s).

Segundo avança a agência de informação espanhola Europa Press, que cita um comunicado da Confederação Hidrográfica do Guadiana (CHG), na barragem de Zújar, situada em Badajoz, o caudal pelas comportas de alívio aumentou 40 m3/s, sendo o caudal total de descarga de 440 m3/s, incluindo turbinas.

Neste momento, mais de vinte estações de medição na bacia hidrográfica do Guadiana mantêm-se acima do limiar do nível vermelho.

O rio Guadiana nasce em Espanha, em Campo Montiel e desagua no sul de Portugal, em Vila Real de Santo António, sendo um dos mais longos da Península Ibérica.

Em Portugal, o Guadiana tem um percurso de 260 quilómetros  num caudal e une o Alentejo ao Algarve.

Lusa

Derrocada numa arriba em Olho de Boi, em Almada, deixou moradores quase isolados

Cerca de 28 moradores do bairro de Olho de Boi, em Almada, estão praticamente isolados, desde que há alguns dias um deslizamento de terras na arriba bloqueou a única estrada de acesso às suas casas.

O Bairro do Olho de Boi é uma zona situada na frente ribeirinha de Almada, no distrito de Setúbal, entre a Fonte da Pipa/Jardim da Boca do Vento e a Quinta da Arealva, e está historicamente associado à Companhia Portuguesa de Pescas (CPP).

Na sequência das tempestades que assolaram Portugal, uma parte da arriba desabou e desde então moradores e proprietários de afamados restaurantes da zona têm apenas como opção descer e subir os 210 degraus de uma escadaria desde a zona ribeirinha até ao elevador da Boca do Vento.

O elevador está avariado desde o dia 02 de fevereiro e o caminho pedonal do ginjal, requalificado recentemente, não é também para os moradores uma opção, uma vez que a tempestade causou igualmente estragos naquela zona tornando o percurso perigoso.

Nenhuma viatura tem agora acesso àquela zona.

DN/Lusa

Campanha de solidariedade Reerguer Leiria já disponibilizou gratuitamente 300 mil telhas

A campanha de solidariedade Reerguer Leiria para acudir aos lesados da depressão Kristin já permitiu ajudar 8.677 famílias com alimentos e artigos de higiene e disponibilizar gratuitamente 300 mil telhas, divulgou hoje a Câmara Municipal.

Em declarações à agência Lusa, o vereador Carlos Palheira disse que, em lonas e magas plásticas para cobertura dos telhados destruídos, o município cedeu gratuitamente material a 35 mil pessoas, num total superior a 1,5 milhão de metros quadrados.

Relativamente à entrega de telhas, o autarca indicou que já foram disponibilizadas mais de 300 mil a 6.000 contribuintes, acrescido de outros materiais como cimento, cordas e espumas de poliuretano.

"Muitos destes materiais foram oferecidos ao município, embora as lonas numa primeira fase tivemos de as adquirir, mas depois numa segunda fase houve uma solidariedade nacional que nos fez chegar muitas lonas, que continuamos a disponibilizar", disse.

Carlos Palheira sublinhou que, embora a operação se centrasse no concelho de Leiria, "a ninguém, mas ninguém, que tenha vindo de outro território, foi negado telhas ou lonas se delas precisassem".

"Nada foi privado a ninguém, porque, numa atitude solidária, consideramos que se chove numa casa esse agregado também tem direito a receber estes materiais", frisou.

Salientando que a solidariedade "ultrapassou fronteiras" na campanha Reerguer Leiria, o vereador da autarquia leiriense destacou que foram efetuados muitos donativos em materiais por entidades espanholas e francesas, que "foram muito solidários com a zona afetada e são um espelho do que é a comunidade portuguesa".

Segundo Carlos Palheira, esta campanha foi também uma forma "muitíssimo mais rápida de dar resposta a tantas pessoas em situação crítica, já que foram largas dezenas de milhares de pessoas que ficaram com as coberturas das casas danificadas".

A campanha Reerguer Leiria vai continuar ativa e só termina quando "o último telhado estiver fechado", enfatizou o autarca.

Lusa

Marinha Grande repudia "inaceitável" demora na reposição da eletricidade

A Assembleia Municipal da Marinha Grande repudiou hoje a "inaceitável" demora da E-Redes na reposição do fornecimento de eletricidade às populações do concelho e exigiu a sua integral e urgente reposição.

A Assembleia Municipal (AM) da Marinha Grande "manifesta o seu veemente repúdio face à inaceitavel demora da E-Redes na reposição do fornecimento" de energia no concelho, em que 11% da população permanece sem eletricidade, lê-se, na nota, aprovada na sexta-feira.

"À data de 12 de fevereiro de 2026, segundo dados oficialmente disponibilizados pela própria E-Redes, 11% da população da Marinha Grande permanece sem energia elétrica, situação que se prolonga muito para além do razoável e do admissível", refere.

A E-REDES informou hoje que na zona mais crítica, às 08h00, cerca de 19 mil clientes estavam sem energia e que no total do território continental o número ascendia a 31 mil clientes.

Na nota de repúdio, a Assembleia Municipal da Marinha Grande considera que, apesar do esforço dos trabalhadores no terreno, a ausência de estratégia na gestão, impede uma previsão concreta e fiável para a reposição total do serviço, constituindo "uma falha grave, que tem gerado um sentimento generalizado de insegurança, frustração e injustiça entre a população afetada".

"Famílias, idosos, trabalhadores e empresas continuam impedidos de retomar a normalidade das suas rotinas, registando-se prejuízos significativos que não podem ser desvalorizados", lê-se no documento.

A Assembleia Municipal da Marinha Grande solicita ainda à E-Redes a apresentação de um relatório detalhado sobre "as causas da falha, os constrangimentos existentes e as medidas de prevenção futura".

Lusa

Proteção Civil diz que risco de inundações no Mondego ainda é significativo, mas não crítico

O risco de inundações nas margens do Rio Mondego continua significativo, embora a situação dos caudais já não seja crítica, continuando a verificar-se risco para as populações em Montemor-o-Velho, alertou o comandante nacional de Proteção Civil.

“Continuamos com risco significativo de inundações no Rio Mondego. Os caudais debitados continuam a ser elevados, embora não críticos, como tinham sido no dia anterior. Portanto, continuamos com uma situação ainda de cheia, onde nomeadamente na zona de Montemor-o-Velho poderá haver ainda algum risco para as populações”, afirmou Mário Silvestre, na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em Carnaxide, Oeiras, onde fez um ponto de situação sobre a resposta ao quadro hidrometeorológico no país até às 12:00 de hoje.

Descargas de água na Barragem da Aguieira, que chegou a estar a 99% da sua capacidade
Descargas de água na Barragem da Aguieira, que chegou a estar a 99% da sua capacidadeMIGUEL A. LOPES/LUSA

O comandante nacional assegurou que a situação continua a ser monitorizada.

A Proteção Civil prevê um desagravamento da situação hidrológica no país, mas há ainda risco significativo de inundações nas zonas de quatro rios (Mondego, Tejo, Sorraia e Sado) e risco de inundações nas áreas de 13 outros rios (Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana).

No Tejo, os caudais continuam "bastante elevados, muitos deles provenientes das descargas das barragens espanholas", mas a informação que Portugal tem é o de que as descargas "irão diminuir", prevendo-se "um alívio na zona do Rio Tejo e em todas as zonas ribeirinhas afetadas por essas inundações".

O alívio terá impacto no Rio Sorraia, nas zonas de Coruche e Benavente, que serão "menos afetadas pelas inundações", disse.

No Sado, em Alcácer do Sal, "há um retorno ao leite normal, o que permitirá um regresso à normalidade" e aos trabalhos de recuperação.

A melhoria nas condições meteorológicas terá "um impacto positivo na questão hidrológica, ou seja, dos enchimentos das barragens e no escoamento dos diversos rios", sendo natural que "ao longo destes dias, sobretudo nos cursos de água e nas zonas onde temos tido mais inundações, haja um desagravamento da situação a nível nacional", disse.

Questionado se, relativamente às zonas no Rio Mondego, se mantém a recomendação para as pessoas retiradas de casas não regressarem às habitações, o comandante nacional explicou que "essa avaliação está a ser feita ao nível municipal".

As indicações "vão ser dadas a nível mais local, uma vez que estão dependentes não só dos caudais descarregados pelos cursos regulados na zona do Mondego, mas também pelas afluências" em zonas não reguladas ou em rios não regulados, como o Ceira, explicou.

"O município de Coimbra está a fazer esse trabalho de forma extremamente positiva e profissional", elogiou.

Entre as 16:00 de 02 de fevereiro e hoje até às 12:00, a Proteção Civil registou 18.589 ocorrências.

A nível nacional há 122 planos municipais ativos neste momento e 15 declarações de situação de alerta em vigor, referiu ainda Mário Silvestre.

Lusa

Segurança Social apoia 1.537 desalojados

A intervenção da Segurança Social no âmbito das tempestades, com a mobilização de mais de 200 técnicos do Instituto da Segurança Social (ISS), deu apoio a 1.537 pessoas desalojadas, foi hoje anunciado.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Segurança Social com mais de 200 técnicos no terreno apoia 1.537 desalojados

31 mil clientes continuam sem energia

De acordo com informação divulgada pela E-Redes, às 8h00 de hoje, permanecem 31 mil clientes sem energia no território nacional, 19 mil dos quais nas zonas mais afetadas pelas tempestades.

No anterior balanço, de sexta-feira às 17h30, a E-Redes apontava para cerca de 22 mil clientes sem energia na zona mais crítica e 32 mil no total do território continental.

Casal de idosos desaparecido em Montemor-o-Velho

Estão a decorrer buscas para encontrar um casal de idosos que foi dado como desaparecido na sexta-feira em Montemor-o-Velho. O casal, com 68 e 65 anos, vive em Verride.

Na sequência do alerta, dado pelas 19h45, realizaram-se buscas, que foram canceladas às 22h00, e já retomadas esta manhã.

O impacto do cancelamento do Carnaval em Torres Vedras

Por estes dias, o Carnaval já deveria ter invadido as ruas. No entanto, vários municípios afetados pelo mau tempo cancelaram os eventos previstos, entre os quais o de Torres Vedras, considerado o mais tradicional do país. Uma decisão que faz lembrar os tempos do covid.

Leia a reportagem clicando em baixo:

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
"Faz lembrar os tempos da Covid". População lamenta cancelamento do Carnaval de Torres Vedras após tempestades

Concelho de Figueiró dos Vinhos ainda muito limitado nas comunicações

O concelho de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, continua com "limitações severas" ao nível das comunicações, que são asseguradas apenas em 30 a 40% do território através da rede móvel.

Neste município, bastante afetado pela depressão Kristin, existem ainda localidades sem energia elétrica, embora em 96% do território a eletricidade já tenha sido reposta.

"Os casos ainda não resolvidos, referem-se a zonas/locais pontuais dispersos onde a gravidade dos danos na rede de baixa tensão é extrema, exigindo intervenções técnicas complexas e, por isso, mais demoradas", explicou a autarquia, nas redes sociais.

Num balanço sobre os enormes estragos provocada pela tempestade, ocorrida em 28 de janeiro, até ao final desta sexta-feira a autarquia tinha reportados danos em cerca de 1.230 edificações, entre habitações, empresas e edifícios públicos.

Já esta manhã, a Câmara de Figueiró dos Vinhos anunciou a abertura da piscina municipal na segunda-feira, nos horários habituais.

No entanto, os balneários daquele equipamento vão continuar disponíveis para banhos quentes aos munícipes que, por de falta de energia elétrica na habitação, necessitem deste apoio.

Lusa

Automotora assegura ligação a Valada até quarta-feira

A freguesia de Valada, no Cartaxo, continua isolada devido à subida das águas do Tejo. A Cãmara Municipal decidiu manter o funcionamento da automotora que faz a ligação entre a Ponte do Reguengo e esta localidade, até quarta-feira. Este meio de transporte tem permitido nos últimos dias a ida de crianças à escola e de pessoas aos locais de trabalho fora da freguesia.

Níveis do rio Mondego em Montemor-o-Velho começam a baixar 

Só para o final do dia se espera uma descida significativa do caudal do rio Mondego, mas já se nota uma descida dos nível das água, embora a situação ainda seja crítica nesta zona.

“Felizmente a situação hoje está melhor, mas ainda é complicada com muitos milhões de metros cúbicos de água no vale central”, disse o presidente da Câmara, José Veríssimo, à agência Lusa.

Segundo adiantou o autarca, os níveis de água baixaram cerca de 15 centímetros no leito do periférico direito, que é uma das situações que está a cortar ao trânsito a Estrada Nacional 111. No próximo vale central os níveis também “baixaram alguma coisa”, embora na localidade de Ereira, isolada há várias dias, tenha “subido alguma coisa”, bem como na margem esquerda, relacionado com as marés e a entrada do periférico direito no rio.

Várias localidades do concelho permanecem isoladas, procedendo-se ao transporte de bens e pessoas por barco.

Apoio de 10 mil euros para casas com 34 mil candidaturas no Centro, Lisboa e Vale do Tejo

O responsável pela Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas revelou na sexta-feira que foram realizadas 34 mil candidaturas ao apoio de 10 mil euros para a reconstrução de casas no Centro, Lisboa e Vale do Tejo.

De acordo com Paulo Fernandes, nas duas principais comissões de coordenação e desenvolvimento regional - Centro e Lisboa e Vale do Tejo - deram entrada 9 mil candidaturas.

"Mais de 6 mil no caso na CCDR do Centro e cerca de 3 mil no caso da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo. E temos mais de 25 mil pré-inscritas, ou seja, já estamos a falar de um universo de 34 mil candidaturas", indicou.

O Conselho Intermunicipal da CIM Região de Leiria, reuniu ao final do dia em Pombal, com a presença do coordenador da Estrutura de Missão, tendo como ponto central da agenda o debate sobre a situação de calamidade na região.

Depois do período da ordem do dia da reunião, Paulo Fernandes informou que foram também acionadas 66 mil apólices de seguros, das quais "cerca de 8 mil são de empresas" e as restantes de habitações de particulares.

DN/Lusa

A16 reaberta no sentido Sintra-Cascais

A Autoestrada 16 (A16) está reaberta, depois de ter estado cortada durante cerca de hora e meia na última noite no sentido Sintra-Cascais na zona de Alcabideche após a queda de um placar publicitário na via, confirmou à Lusa fonte da Proteção Civil.

O alerta para a ocorrência tinha sido dado dado pelas 21:40 de sexta-feira.

Pelas 23:15, o trânsito foi cortado para serem realizados os trabalhos de remoção do placar publicitário que caiu para a via e estiveram no local 12 operacionais, apoiados por cinco viaturas, segundo o 'site' da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

DN/Lusa

Ponto da situação na ferrovia às 8h00

Segundo o balanço das Infraestruturas de Portugal às 8h00, a circulação ferroviária regista alguns condicionamentos em linhas da rede nacional.

  • Linha de Sintra: circulação suspensa na via descendente externa entre Cacém e Monte Abraão;

  • Linha de Cascais: circulação suspensa na via ascendente entre Algés e Caxias;

  • Linha do Norte: circulação suspensa entre Alfarelos e Formoselha;

  • Linha do Douro: circulação suspensa entre a Régua e o Pocinho;

  • Linha do Oeste: circulação suspensa entre Caldas da Rainha e Amieira;

  • Linha da Beira Baixa: circulação suspensa entre Abrantes e Sarnadas;

  • Ramal de Alfarelos: circulação suspensa entre Alfarelos e Verride;

  • Concordância de Xabregas: circulação suspensa entre Lisboa Santa Apolónia e a Bifurcação Chelas.

Acompanhe aqui a situação no país devido ao mau tempo

Bom dia

Iniciamos aqui o acompanhamento ao minuto da situação no país devido ao mau tempo das últimas semanas. O sol brilha, finalmente.

Depois de semanas consecutivas de tempestades, a chuva deverá dar algumas tréguas este sábado, dia em que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o céu apresentar-se-á "em geral pouco nublado, com aumento temporário de nebulosidade".

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Chuva não irá desaparecer, mas vai perder força e dar algumas tréguas durante o fim de semana

Veja em baixo o resumo do dia de ontem:

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inundado
Marcelo voltou a Coimbra, falou em "aperto" e autarca suspirou de alívio por não ver a temida cheia centenária
Diário de Notícias
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